Meu Mundo Imundo

        No dia primeiro de janeiro
        Dum ano bem esquisito
        Todo mundo desapareceu

        Neste cemitério sem homens
        Nem nomes
        Existe só eu
        Sou minh'alma gêmea

        Sou princesa encantada
        Bicho, pirata
        Menina perfeita
        Criança feita
        Não tenho nome
        Nem pronome
        Sou bailarina desvairada
        Sambando pelas rua do Brasil

        Minha voz dá inveja aos passáros
        Meu rosto apaixona as flores
        Sou modelo para todas as roupas
        Não uso nenhuma
        Sou nua nua nua

        Vem, vento!
        Voa, lava meu cabelo
        A avenida se esvaziou pra mim passar

        Compro meu coração com seu silêncio
        Berro palarões desdestinados na praça da Sé
        Faço sexo sozinha no topo dos edifícios
        Grito vida
        E vivo e vivo e vivo

        Até o próximo amanhecer
        O paraíso terá existido
        Até o próximo amanhecer 
        Viverei para sempre
    
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